
Brasil e Indonésia firmam novos acordos e reforçam parceria estratégica durante visita de Lula a Jacarta
Presidentes destacam cooperação em comércio, defesa e energia; Lula confirma candidatura à reeleição em 2026
Por Nossa Terra
· 3 min de leitura
Durante visita oficial a Jacarta, capital da Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou, na madrugada desta quinta-feira (23), uma série de acordos e memorandos de cooperação em diversas áreas, marcando um novo capítulo nas relações bilaterais entre os dois países.
Em declaração conjunta à imprensa, Lula e o presidente indonésio Prabowo Subianto destacaram a convergência de posições sobre temas internacionais, como a situação em Gaza, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e o papel do Brics na defesa dos interesses do Sul Global.
Durante o discurso, Lula confirmou que disputará as eleições presidenciais de 2026, afirmando que pretende manter e aprofundar a relação entre Brasil e Indonésia em um possível novo mandato.
“Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Digo isso porque ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas estou preparado para disputar outras eleições e fazer com que a relação entre Indonésia e Brasil seja cada vez mais valorosa”, declarou o presidente.
Parceria com potencial econômico de meio bilhão de pessoas
Os acordos assinados abrangem áreas como agricultura, energia, comércio, educação, defesa, ciência e tecnologia. Lula destacou o potencial econômico conjunto entre os dois países, que somam quase 500 milhões de habitantes, mas mantêm um comércio anual de apenas US$ 6 bilhões.
“É quase inexplicável como dois países tão importantes, como Indonésia e Brasil, têm um comércio tão pequeno. Vamos trabalhar muito para transformar nossos países em parceiros fundamentais na geografia econômica do mundo”, afirmou Lula.
Segundo o Planalto, a Indonésia foi o quinto destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2024, mas os valores ainda são considerados “tímidos” diante do potencial do mercado.
O presidente Prabowo Subianto ressaltou que a parceria entre Brasil e Indonésia é “estratégica e sinergética”, unindo duas forças econômicas emergentes e membros do Brics e do G20. Ele afirmou que o comércio bilateral tem potencial para alcançar US$ 20 bilhões nos próximos anos e anunciou que o português será incluído entre as línguas prioritárias no sistema educacional indonésio.


Convergência política e defesa do multilateralismo
Lula e Prabowo também destacaram a posição comum dos dois países em temas geopolíticos.
“Nossos governos estão unidos contra o genocídio em Gaza e continuarão defendendo a solução de dois Estados como único caminho possível para a paz no Oriente Médio”, declarou Lula.
O presidente brasileiro reafirmou a necessidade de uma reforma integral do Conselho de Segurança da ONU, criticando a falta de representatividade da instituição, e enfatizou o papel crescente do Brics como plataforma de defesa dos interesses do Sul Global.
Além disso, Lula reforçou que Brasil e Indonésia rejeitam o protecionismo e defendem o multilateralismo e o comércio justo:
“Não queremos uma nova Guerra Fria. Queremos comércio livre, democracia comercial e o uso das nossas próprias moedas nas trocas bilaterais. O século XXI exige coragem para mudar e reduzir dependências externas”, disse.
Cooperação em defesa, energia e mineração
Os presidentes também destacaram o avanço da parceria em defesa e energia. Lula ressaltou que o Brasil possui uma sólida base industrial militar e está disposto a contribuir com as necessidades estratégicas da Força Aérea da Indonésia.
Na área energética, os dois países discutiram a gestão soberana de minerais críticos, considerados essenciais na transição energética global. Segundo Lula, a cooperação em mineração será fortalecida a partir de um memorando assinado entre os ministérios de Minas e Energia de ambos os países.
Fortalecimento do Sul Global
Lula destacou ainda que tanto o Brasil quanto a Indonésia compartilham o objetivo de superar a fome e a pobreza. Ele lembrou que a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, contou com o apoio imediato da Indonésia.
“Queremos crescer, gerar empregos e garantir desenvolvimento sustentável. É para isso que fomos eleitos: para representar o nosso povo com dignidade”, concluiu o presidente brasileiro.
FONTE: Agência Brasil
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