
MP pede que Prefeitura de São Luís avalie TAC para regularizar transporte coletivo em meio à greve dos rodoviários
Município tem prazo de cinco dias para informar se aceita acordo proposto pelo Ministério Público diante da paralisação que afeta cerca de 700 mil passageiros
Por Nossa Terra
· 4 min de leitura
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) solicitou que a Prefeitura de São Luís se manifeste, no prazo de até cinco dias, sobre o interesse em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o objetivo de regularizar o sistema de transporte coletivo urbano da capital. A solicitação foi formalizada por meio de ofício encaminhado ao prefeito Eduardo Braide nesta segunda-feira (2), pela 1ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Consumidor de São Luís.
A iniciativa busca assegurar a regularidade, a continuidade e a qualidade do serviço de transporte público, que enfrenta dificuldades agravadas pela greve dos rodoviários, iniciada há cinco dias e que, nesta terça-feira (3), já impacta milhares de usuários. Para o MP-MA, a crise do setor é estrutural e vai além do contexto atual da paralisação.
O documento é assinado pela promotora de justiça Alineide Martins Rabelo Costa, titular da Promotoria do Consumidor. No despacho, a promotora destaca falhas recorrentes na gestão do sistema, ausência de transparência, instabilidade regulatória e o risco concreto de interrupção de um serviço classificado como essencial.
Segundo o Ministério Público, o procedimento foi instaurado após denúncias de usuários, que relatam a precariedade da frota, composta por ônibus antigos, com manutenção inadequada, problemas mecânicos e ausência de ar-condicionado. Também foram registradas queixas de superlotação, com veículos operando acima da capacidade permitida, comprometendo a segurança e o conforto, especialmente de idosos e pessoas com deficiência.
As reclamações incluem ainda deficiências na infraestrutura, como falta de sinalização adequada e ausência de abrigos nos pontos de ônibus.
Solução proposta
De acordo com o MP-MA, a superação dos problemas exige a adoção de medidas efetivas para aprimorar a gestão e a prestação do serviço. O órgão informou que tentativas anteriores de diálogo com o Município não resultaram em respostas satisfatórias, o que reforça a necessidade do TAC como instrumento de acordo.
O Ministério Público alertou que, caso não haja manifestação da Prefeitura dentro do prazo estabelecido, outras medidas institucionais poderão ser adotadas.
Equilíbrio econômico-financeiro
No ofício, o MP-MA ressalta a importância da preservação do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) afirma que a Prefeitura de São Luís deixa de cumprir o reajuste anual da tarifa de remuneração, o que compromete a sustentabilidade do sistema.
A Promotoria também aponta que decisões administrativas adotadas pelo Município impactaram negativamente a política de mobilidade urbana, como a priorização de soluções emergenciais com recursos públicos em detrimento de investimentos no transporte regular.
Para o Ministério Público, o Termo de Ajustamento de Conduta é o instrumento mais adequado para solucionar o impasse, desde que haja diálogo entre todas as partes envolvidas.
Greve e negociações
A greve dos rodoviários da Grande São Luís chegou ao quinto dia nesta terça-feira, deixando cerca de 700 mil passageiros sem transporte coletivo, mesmo após decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que determinou a circulação de 80% da frota.
Diante do descumprimento da liminar, o TRT estabeleceu multa diária de R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários. A decisão também prevê que, a cada 48 horas de descumprimento, haverá bloqueio de recursos da entidade por meio do sistema BacenJud.
Uma audiência entre rodoviários, empresas de transporte e órgãos públicos foi realizada na manhã desta terça-feira, no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16). Na ocasião, foi apresentada proposta de reajuste salarial de 4% para os trabalhadores do sistema semiurbano, gerido pelo Governo do Estado. O Sindicato dos Rodoviários informou que levará a proposta para assembleia a fim de deliberar sobre a aceitação. Já o sistema urbano, sob gestão da Prefeitura de São Luís, segue sem proposta de reajuste.
Reivindicações da categoria
Os rodoviários reivindicam reajuste salarial de 12%, conforme contraproposta apresentada na última rodada de negociação, tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500 e a inclusão de mais um dependente no plano de saúde.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, durante a primeira audiência, realizada na última sexta-feira (30), foi apresentada a contraproposta de reajuste de 12%. Segundo ele, os empresários se comprometeram a avaliar a viabilidade do percentual sugerido.
A paralisação afeta linhas urbanas e semiurbanas e deve continuar até que uma nova proposta seja apresentada. Não há previsão para o retorno do serviço.
Posicionamento da SMTT
Em nota, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informou que o pagamento do subsídio ao sistema de transporte público está em dia e que foram liberados vouchers para corridas por aplicativo aos usuários do transporte coletivo enquanto durar a greve.
Segundo a SMTT, os vouchers estão sendo pagos em conformidade com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A secretaria afirmou ainda esperar que empresários e rodoviários cheguem a um entendimento o mais breve possível para restabelecer a regularidade do serviço prestado à população.
Nota da MOB
A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informou que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos. A agência esclareceu que as questões trabalhistas são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão.
A MOB afirmou ainda que mantém diálogo com os sindicatos e que adota, dentro de suas competências legais, as medidas necessárias para contribuir com a retomada do serviço no menor prazo possível.
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